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BACHIN & KLEINADVOGADOS

Golpes e fraudes bancárias

Empréstimo feito no meu nome: o que fazer

Se apareceu um empréstimo, um consignado ou um cartão que você não contratou, trate o problema como fraude desde o primeiro minuto: não negocie a dívida, não pague parcelas “para evitar problema” e não aceite acordo por telefone. Conteste por escrito, peça ao banco a cópia do contrato e dos documentos usados na aprovação e registre boletim de ocorrência. O banco responde, em regra, pelas fraudes praticadas dentro do seu sistema, mas o desfecho depende do que ficar provado sobre como o contrato foi feito.

Por Waldir Alves Klein Junior · OAB/MG 94.311 · atualizado em setembro de 2026
Nesta página
  1. Como descobrir todos os empréstimos que existem no seu nome
  2. O que fazer nas primeiras 48 horas
  3. E se o dinheiro do empréstimo caiu na minha conta?
  4. O banco é obrigado a cancelar o empréstimo fraudulento?
  5. Quem precisa provar que a assinatura é verdadeira?
  6. Consignado no benefício do INSS: como suspender os descontos
  7. Nome negativado por dívida que não é sua
  8. Perguntas frequentes

Como descobrir todos os empréstimos que existem no seu nome

Muita gente descobre um contrato e, meses depois, aparece outro. Antes de reclamar, vale fazer um levantamento completo. O caminho mais seguro é o Registrato, serviço gratuito do Banco Central, acessado com a conta gov.br. Ele mostra os empréstimos e financiamentos registrados no seu CPF, as contas abertas em seu nome e as chaves Pix cadastradas.

  • Aposentados e pensionistas: confira o extrato de empréstimos consignados no aplicativo ou site Meu INSS. Ali aparecem o banco, o valor e a data de cada contrato.
  • Servidores públicos: o contracheque e o portal do órgão pagador mostram as consignações ativas.
  • Nome negativado: consulte Serasa, SPC e Boa Vista, que informam quem incluiu a dívida e quando.

Guarde prints e PDFs de tudo. Esses relatórios mostram a data exata em que o contrato surgiu, o que ajuda a demonstrar que você não estava na agência nem usando o aplicativo naquele momento.

O que fazer nas primeiras 48 horas

  1. Registre boletim de ocorrência, que pode ser feito pela delegacia on-line na maioria dos estados. Descreva o contrato, o banco e como você descobriu.
  2. Conteste no banco por escrito — pelo aplicativo, e-mail do SAC ou ouvidoria — e anote o número de protocolo. Peça expressamente a cópia do contrato, da selfie ou biometria, do documento usado e do registro de IP ou dispositivo da contratação.
  3. Se for consignado do INSS, confira no Meu INSS se o benefício está bloqueado para empréstimos e mantenha-o assim. Pelas regras atuais, o desbloqueio exige validação de identidade do próprio titular, o que dificulta um segundo contrato enquanto você resolve o primeiro.
  4. Registre reclamação no consumidor.gov.br ou no Banco Central. Além de pressionar a instituição, gera prova de que você reclamou cedo.
  5. Troque senhas de e-mail, gov.br e aplicativos de banco, porque a fraude pode ter começado por um desses acessos.

Quer saber o caminho no seu caso? Responda três perguntas.

BACHIN & KLEIN Dúvidas? Sigiloso · LGPD

Avaliação informativa: nada é enviado até você decidir. O resultado indica caminho e documentos — não é promessa de resultado.

E se o dinheiro do empréstimo caiu na minha conta?

Acontece com frequência. O golpista contrata o empréstimo, o valor é depositado na sua conta e, logo depois, alguém liga dizendo ser do banco e pede que você “devolva” por Pix para outra conta. Essa segunda transferência é o golpe de verdade: o dinheiro vai para o criminoso e a dívida fica com você.

Se o valor ainda está na conta, não gaste e não transfira para ninguém que não seja o próprio banco, por canal oficial. Informe na contestação que o dinheiro está disponível para devolução. Se o banco não aceitar a devolução, é possível, a depender do caso, depositar o valor em juízo. Essa postura demonstra boa-fé e costuma pesar na análise do caso. Se você já transferiu seguindo instruções de um falso atendente, a situação passa a envolver também as regras do Pix, e o MED deve ser pedido o quanto antes.

O banco é obrigado a cancelar o empréstimo fraudulento?

A Súmula 479 do Superior Tribunal de Justiça diz que as instituições financeiras respondem objetivamente pelos danos causados por fraudes e delitos praticados por terceiros no âmbito de operações bancárias. Na prática, isso significa que o banco não pode simplesmente alegar que “também foi vítima” do fraudador: aprovar crédito com documento falso ou selfie de outra pessoa é um risco da própria atividade.

Isso não quer dizer que todo caso termina com cancelamento. O Código de Defesa do Consumidor, no artigo 14, afasta a responsabilidade quando há culpa exclusiva do consumidor. Se ficar demonstrado que a própria pessoa entregou senha, código de verificação e fotos ao golpista, o banco vai sustentar essa tese, e há decisões nos dois sentidos. Por isso importa tanto reconstruir o que aconteceu: quem enviou a selfie, de qual aparelho, se o banco ligou para confirmar, se o valor era compatível com a renda.

Quem precisa provar que a assinatura é verdadeira?

Quando o consumidor nega ter assinado o contrato apresentado pelo banco no processo, o STJ firmou entendimento (Tema 1.061 dos recursos repetitivos) de que cabe à instituição financeira provar a autenticidade da assinatura. Em contratos físicos, isso normalmente leva a uma perícia grafotécnica.

Hoje, a maioria das contratações é digital, feita com selfie, biometria facial ou assinatura eletrônica. Nesses casos, o debate costuma girar em torno de perguntas como estas:

  • A foto usada é realmente sua ou foi tirada de uma rede social?
  • O celular que fez a contratação já estava vinculado à sua conta?
  • A localização e o horário são compatíveis com a sua rotina?
  • O dinheiro foi para uma conta sua ou saiu imediatamente para terceiros?

Um contrato feito às 3h da manhã, de um aparelho novo, com o valor transferido em minutos para outra cidade, conta uma história muito diferente de um contrato feito do seu próprio celular.

Consignado no benefício do INSS: como suspender os descontos

Aposentados e pensionistas são o alvo preferido desse tipo de fraude, porque o desconto sai direto do benefício e muitas vezes passa despercebido por meses. Além de contestar no banco, o próprio INSS orienta registrar a reclamação na plataforma consumidor.gov.br, pelo Meu INSS ou pela central 135. Vale também confirmar que o benefício continua bloqueado para novos empréstimos.

Se os descontos continuarem mesmo com a contestação, a Justiça pode determinar a suspensão logo no início do processo, por meio de tutela de urgência, desde que haja indícios consistentes da fraude. Os valores descontados indevidamente podem ser objeto de pedido de restituição. A devolução em dobro, prevista no artigo 42 do CDC, depende das circunstâncias do caso e do entendimento atual dos tribunais sobre a conduta da instituição.

Nome negativado por dívida que não é sua

Quando o contrato fraudulento deixa de ser pago, o próximo passo do banco é negativar o CPF. Com prova da fraude — boletim, contestação, divergência de dados —, é possível pedir a retirada do nome dos cadastros em caráter de urgência. Sobre indenização por dano moral, há um ponto de atenção: pela Súmula 385 do STJ, quem já tinha outra negativação legítima no momento da inclusão, em regra, não tem direito a dano moral por essa nova anotação, embora mantenha o direito de vê-la cancelada. Cada caso precisa ser olhado com o histórico completo do CPF.

Próximo passo

Cada caso depende dos documentos e das datas.

Envie um resumo do que aconteceu. Um advogado do escritório lê a sua mensagem e diz, com franqueza, se há o que discutir e qual o caminho.

Perguntas frequentes

Posso simplesmente parar de pagar as parcelas do empréstimo que não fiz?

Se você nunca pagou, não comece. Se as parcelas são descontadas automaticamente, a suspensão depende de o banco aceitar a contestação ou de uma decisão judicial. Parar de pagar por conta própria pode gerar negativação, por isso o ideal é contestar formalmente antes.

O banco diz que a selfie é minha. E agora?

Pergunte de onde a foto veio. Imagens retiradas de redes sociais ou de cadastros vazados são usadas em fraudes. Peça a cópia completa do registro de contratação, com data, hora, aparelho e localização, para comparar com a sua rotina.

Um parente fez o empréstimo usando meus documentos. O banco responde?

A situação é mais delicada, porque o banco costuma alegar que os dados foram entregues voluntariamente. Ainda assim, é possível discutir se a instituição conferiu adequadamente a identidade. O caso também pode envolver responsabilidade direta de quem fez o contrato.

Tem prazo para contestar um empréstimo fraudulento?

Para ações contra o banco com base no CDC por defeito do serviço, o prazo costuma ser de cinco anos contados de quando você soube do dano e de quem o causou. Na prática, quanto antes a contestação é feita, mais fácil é obter os registros da contratação.

Conteúdo do Bachin & Klein Advogados, revisado por Waldir Alves Klein Junior (OAB/MG 94.311). Atualizado em setembro de 2026. Caráter informativo; não substitui a análise individual do caso. Como produzimos este conteúdo.

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